O Modelo de Agência está mudando, na verdade já mudou | AnaMid

O Modelo de Agência está mudando, na verdade já mudou

Não por causa da IA, mas por causa do colapso do modelo de fornecimento de serviços.

A maioria das agências já aceitou que a Inteligência Artificial faz parte do jogo.

O que ainda não foi plenamente compreendido é algo muito mais estrutural:

O modelo tradicional de prestação de serviços está entrando em colapso.

Não é sobre usar IA para produzir mais rápido. É sobre o fato de que a lógica de vender execução manual está se tornando economicamente insustentável.

1. A compressão inevitável de valor

Durante décadas, o modelo de agência foi baseado em três pilares:

  1. Mão de obra especializada
  2. Tempo como unidade de precificação
  3. Produção manual como diferencial

Esse modelo funcionou porque havia assimetria de conhecimento e acesso.

Hoje, essa assimetria está desaparecendo.

Segundo a McKinsey (2024), 76% dos líderes globais apontam IA como prioridade número 1 nos próximos dois anos. Isso significa que os próprios clientes estão internalizando tecnologia, automação e inteligência.

Ao mesmo tempo, o Fórum Econômico Mundial (Future of Jobs Report 2023) estima que 44% das habilidades atuais serão transformadas até 2027, com forte impacto em funções operacionais e repetitivas.

Tradução prática para agências:

Se a sua proposta de valor é execução manual, você está vendendo algo que está se tornando abundante.

E abundância reduz preço.


2. A crise invisível: CAC sobe, conversão cai

O modelo clássico de público-alvo foi a base da indústria por décadas.

Mas os dados mostram uma erosão silenciosa.

  • O custo de aquisição de clientes aumentou significativamente nos últimos cinco anos em diversos mercados.
  • A competição por atenção explodiu.
  • A fragmentação de canais se intensificou.

A Gartner (Digital Marketing Survey, 2024) mostra que líderes de marketing estão deslocando orçamento de produção de conteúdo para tecnologia, automação e inteligência de dados.

Não é moda. É reestruturação.

O problema não está na campanha.

O problema está na arquitetura.

3. 95% do tráfego é anônimo. E isso muda tudo.

Diversos estudos de analytics mostram que a grande maioria do tráfego digital permanece não identificado.

Isso revela algo profundo:

  • O modelo de segmentação tradicional não captura o comportamento real em tempo contextual.
  • Estamos mirando em “personas”, enquanto o consumidor opera em micro-situações.

Como aponta a Salesforce (State of the Connected Customer, 2025):

76% dos consumidores esperam experiências personalizadas e integradas entre canais.

Personalização não é mais diferencial. É expectativa mínima.

E personalização exige:

  • Dados estruturados
  • Integração de canais
  • Automação inteligente
  • Governança

Sem isso, não há inteligência. Só mídia.

4. O que está realmente mudando: da execução para a orquestração

Estamos entrando na era dos agentes de IA.

A Gartner projeta que até 2028:

  • 33% dos softwares corporativos incluirão agentes autônomos
  • 15% das decisões diárias serão tomadas por agentes de IA

Isso muda a lógica da internet.

Antes: Humano → Interface → Sistema

Agora: Agente → API → Dados estruturados → Decisão

Nesse cenário, o valor não está no layout. Está na infraestrutura cognitiva.

Sites deixam de ser vitrines. Passam a ser bases de dados estruturadas para consumo por máquinas.

Como afirma Demis Hassabis (DeepMind):

“Agentes de IA podem ser mais transformadores que a própria internet.”

Isso não é exagero. É mudança de paradigma.

5. Maturidade Digital: o divisor de águas

Menos de 5% das empresas brasileiras atingiram o estágio “inovador” de maturidade digital.

Isso significa que a maioria:

  • Não tem dados integrados
  • Não tem mentalidade data-driven
  • Não tem governança estruturada
  • Não tem automação madura

E ainda assim, continuam tentando escalar mídia.

Segundo o MIT CISR (2024), empresas com alta maturidade digital têm 3 vezes mais probabilidade de superar a média de crescimento do setor.

O diferencial não está na ferramenta. Está na capacidade de alinhar estratégia, cultura e tecnologia.

6. A falácia do “usar IA para fazer post mais rápido”

A grande armadilha é acreditar que IA é ferramenta de produtividade.

IA é ferramenta de reestruturação de modelo de negócio.

Quando:

  • Copy é gerada em segundos
  • Criativos são automatizados
  • Relatórios são sintetizados por LLMs
  • Segmentações são preditivas

O cliente inevitavelmente começa a perguntar:

“Se eu consigo fazer 60% disso internamente com IA, qual é o papel da agência?”

Se a resposta for execução…

A margem evapora.

Se a resposta for:

  • Arquitetura
  • Estratégia
  • Integração de sistemas
  • Inteligência contextual
  • Governança
  • Orquestração de agentes

A agência se torna indispensável.

Três forças convergentes estão redefinindo tudo

Segundo análises recentes de mercado (McKinsey, WEF, Gartner), três vetores estão colidindo:

  1. Inteligência Artificial em escala
  2. Mudanças demográficas globais
  3. Aceleração digital permanente

O resultado:

  • Consumidores mais exigentes
  • Ciclos de inovação mais curtos
  • Pressão por eficiência operacional
  • Necessidade de personalização em massa

Isso não favorece quem executa. Favorece quem estrutura.

O que realmente está em jogo

  • O modelo tradicional de agência é linear.
  • O modelo emergente é sistêmico.

Linear: Briefing → Produção → Entrega → Fatura

Sistêmico: Dados → Infraestrutura → IA → Automação → Aprendizado contínuo → Valor recorrente

Isso altera:

  • Precificação
  • Estrutura de equipe
  • Proposta de valor
  • Modelo comercial
  • Relacionamento com cliente

Estamos migrando de “produtores de peças” para “arquitetos de inteligência”.

A discussão não é se vale investir em IA.

A discussão é:

O seu modelo de fornecimento de serviços está preparado para um mercado onde execução virou commodity?

Entre 2025 e 2030, segundo múltiplos relatórios globais, haverá uma redistribuição brutal de margem.

Não será vencida pelas maiores agências.

Será vencida pelas mais adaptáveis.

A pergunta não é se o modelo vai mudar.

Ele já está mudando.

A pergunta final é:

Sua agência ainda vende esforço ou já vende inteligência estruturada?

A sua resposta define os seus próximos cinco anos.

Assine nossa newsletter: