Acontece no Digital
Banco do Brasil abre consulta pública para contratação de agências de comunicação digital
Minuta prevê contratação de até duas agências, orçamento estimado em até R$ 40 milhões em 12 meses e um escopo que inclui estratégia, conteúdo, mídia, dados, tecnologia, desenvolvimento de plataformas e inteligência artificial. Mercado pode enviar contribuições até 14 de setembro.
O Banco do Brasil abriu consulta pública ao mercado sobre a minuta do edital de uma futura licitação para contratação de até duas agências de Comunicação Digital.
A consulta faz parte da etapa preparatória do processo licitatório e tem justamente o objetivo de permitir que empresas, entidades e profissionais do mercado analisem o documento e encaminhem contribuições, questionamentos e sugestões antes da consolidação da versão definitiva do edital.
Segundo o documento publicado pelo Banco do Brasil, as manifestações poderão ser encaminhadas por escrito até 14 de setembro de 2026, por meio do e-mail disec.dinoc@bb.com.br.
É importante destacar que a licitação ainda não foi aberta. O documento disponibilizado neste momento é uma minuta submetida à consulta pública. Portanto, requisitos, valores, especificações, datas e demais condições ainda poderão sofrer alterações após a análise das contribuições recebidas pelo Banco.
Contratação pode chegar a R$ 40 milhões em 12 meses
A minuta prevê a contratação de até duas empresas para prestação, sob demanda, de serviços de planejamento, desenvolvimento e execução de soluções de comunicação digital para o Banco do Brasil e para outras empresas integrantes de seu conglomerado.
O orçamento indicado para os contratos é de até R$ 40 milhões durante os primeiros 12 meses, embora o próprio documento estabeleça que o Banco não estará obrigado a utilizar integralmente esse valor. Os contratos terão vigência inicial de 12 meses, com possibilidade de prorrogação por até 60 meses.
Outro ponto relevante é o critério previsto para a futura licitação: Melhor Técnica. Ou seja, o processo coloca peso significativo sobre capacidade estratégica, experiência, metodologia e qualidade das soluções apresentadas, e não simplesmente sobre preço.
O conceito de “agência digital” ficou muito maior
Um dos aspectos que mais chama a atenção na minuta é a amplitude dos serviços contemplados.
O documento vai muito além da produção de posts, campanhas ou peças publicitárias. Entre os serviços previstos estão planejamento estratégico, produção de conteúdo e imagens, desenvolvimento de sites e aplicativos, experiência do usuário, acompanhamento de resultados, atuação em redes sociais, SEO, análise de funil de conversão e utilização de ferramentas de Business Intelligence.
Há também atividades relacionadas à estratégia e gestão de mídia digital, influenciadores, pesquisa, contratação de ferramentas tecnológicas, automação e análise de dados.
E existe um elemento especialmente importante para o momento vivido pelo mercado: a inteligência artificial aparece formalmente dentro do escopo da contratação.
A minuta inclui, entre os serviços, o desenvolvimento de prompts para aplicações de IA em texto, imagem, vídeo, animação e outros usos potenciais. Também prevê, entre os serviços complementares, o desenvolvimento e a implantação de inteligência artificial para processos, operações, produções e demais necessidades relacionadas à comunicação digital.
Esse detalhe é significativo porque demonstra como a fronteira entre comunicação, marketing, tecnologia, dados e inteligência artificial está desaparecendo rapidamente.
A agência digital que o mercado conhecia alguns anos atrás não é necessariamente a agência que grandes organizações procuram contratar hoje.
Tecnologia passa a fazer parte da própria entrega de comunicação
A minuta ajuda a materializar uma transformação que já vem acontecendo no mercado.
Comunicação digital passou a envolver cada vez mais estratégia, criatividade, tecnologia, dados, performance, engenharia de software, automação e inteligência artificial.
Quando um edital para contratação de comunicação digital contempla desenvolvimento de aplicativos, arquitetura da informação, UX, programação, SEO, BI, gestão de dados, contratação de plataformas tecnológicas e implementação de inteligência artificial, existe uma mensagem importante para todo o setor.
A discussão deixa de ser apenas sobre qual agência cria a melhor campanha.
Passa a ser sobre qual organização consegue compreender o negócio, transformar dados em estratégia, construir experiências digitais, integrar tecnologias e entregar resultados mensuráveis.
Para a AnaMid, essa evolução merece atenção porque dialoga diretamente com a transformação do próprio ecossistema digital brasileiro. Empresas que durante muito tempo foram classificadas separadamente como agências, consultorias, martechs, adtechs, empresas de dados ou produtoras de tecnologia hoje frequentemente precisam trabalhar de maneira integrada para solucionar um único desafio de negócio.
Como será avaliada a capacidade técnica
A minuta também detalha uma estrutura robusta para avaliação das propostas.
A Proposta Técnica está organizada em três grandes quesitos: Plano de Comunicação Digital, Capacidade de Atendimento e Relatos de Soluções Pretéritas em Comunicação Digital.
O Plano de Comunicação Digital deverá abordar raciocínio básico, estratégia de comunicação digital, solução proposta e plano de implementação. Entre os critérios de avaliação estão a compreensão do negócio e dos públicos do Banco, consistência da estratégia, relação entre as iniciativas propostas e os resultados esperados, adequação aos diferentes públicos e exequibilidade das soluções.
A minuta ainda estabelece que uma proposta poderá ser desclassificada caso não alcance 75 pontos no total ou obtenha nota zero em algum dos quesitos ou subquesitos avaliados.
Os relatos de experiências anteriores apresentados pelas empresas deverão considerar soluções implementadas nos três anos anteriores à abertura da futura licitação.
Há condições importantes que as empresas precisam analisar
Empresas interessadas também devem observar cuidadosamente as regras de participação apresentadas na minuta.
Um dos pontos estabelece que uma empresa que atualmente preste serviços semelhantes a instituições financeiras bancárias concorrentes do Banco do Brasil deverá desistir desses serviços antes de eventual assinatura do contrato. Durante a vigência contratual, a empresa contratada também não poderá prestar esses serviços a bancos concorrentes.
A minuta ainda estabelece, entre outras condições, que empresas constituídas em consórcio não poderão participar da licitação.
São condições relevantes para o mercado e que reforçam justamente a importância da fase atual de consulta pública.
Por que as empresas do setor devem participar da consulta
Consulta pública não deve ser vista simplesmente como uma formalidade anterior à licitação.
É neste momento que o mercado tem a possibilidade de avaliar se as especificações técnicas são aderentes à realidade das empresas, se as formas de contratação refletem a dinâmica atual do ecossistema digital, se os requisitos são tecnicamente viáveis e se a estrutura proposta estimula competição, inovação e qualidade.
E isso ganha ainda mais importância diante de uma contratação que reúne, sob o conceito de comunicação digital, disciplinas tão diferentes quanto estratégia, criatividade, mídia, conteúdo, software, UX, dados, automação e inteligência artificial.
Por esse motivo, a AnaMid — Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital recomenda que seus associados e demais empresas do ecossistema interessadas no tema façam uma leitura detalhada da minuta e, quando considerarem pertinente, participem da consulta.
Não se trata apenas de acompanhar uma futura oportunidade comercial.
É também uma oportunidade para o próprio mercado contribuir para a construção dos parâmetros que orientarão uma das contratações públicas relevantes de comunicação digital no país.
Como participar
As dúvidas, questionamentos e contribuições sobre a minuta podem ser encaminhadas ao Banco do Brasil até:
14 de setembro de 2026
E-mail: disec.dinoc@bb.com.br
As respostas aos questionamentos que puderem ser respondidos serão publicadas pelo Banco do Brasil na área destinada a Consultas e Audiências Públicas.
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